A agenda teve participação de entidades e empresários do varejo de Campo Grande, além do Governador de Tarapacá, José Miguel Carvajal Gallardo. O foco foi firmar cooperação para fomentar a Rota Bioceânica
A CDL Campo Grande recebeu, na quarta-feira (08), a comitiva da região chilena de Tarapacá, encabeçada pelo governador regional José Miguel Carvajal Gallardo. O encontro começou com um café da manhã de boas-vindas e seguiu para uma reunião de alinhamento, na qual representantes de entidades e empresários de Campo Grande apresentaram oportunidades e desafios da relação comercial entre as duas regiões. Ao final, a CDL entregou presentes institucionais ao governador e aos demais integrantes da comitiva.
O encontro é fruto de um trabalho que a CDL Campo Grande conduz há mais de três anos para conectar o varejo local às possibilidades da rota de integração latino-americana. Segundo o presidente da entidade, Adelaido Figueiredo, o momento pede a saída do discurso para a prática. “A ideia aqui é justamente sair da retórica, sair da discussão e ir realmente para a prática. Hoje nós fizemos aqui um compromisso de montar um grupo de cem empresários e irmos até o Chile, conhecer todas as potencialidades e também apresentar as potencialidades que nós temos aqui em Campo Grande”, afirma.

Para o presidente, a integração comercial abre a Campo Grande um mercado de mais de vinte milhões de consumidores, ante o um milhão atual, e coloca a cidade em posição de fornecedora de produtos ao Brasil, em vez de apenas consumidora. “Se nós tivermos a capacidade e a inteligência de trazer pelo Pacífico, Campo Grande passa a ser a grande fornecedora do Brasil”, diz. Ele também revela que a reunião tratou de uma frente aérea entre as regiões, ao lado da AENA. “Não só pela rota, mas também pelo aéreo que foi discutido hoje com a AENA. Uma grande alternativa”, completa.
O governador José Miguel Carvajal Gallardo destacou o caráter estratégico da aproximação com o comércio sul-mato-grossense. “O projeto corredor bioceânico é o projeto latino-americano mais importante do ponto de vista geopolítico das últimas décadas”, afirma. A visita marca o terceiro ano consecutivo das Jornadas de Tarapacá em Campo Grande, promovidas por um escritório da região chilena instalado na capital para vincular empresários locais.
Entre os pontos discutidos no encontro, o governador cita a conectividade aérea como um dos avanços mais relevantes da agenda. “Uma das mais significativas tratativas que levamos desta visita é a possibilidade de iniciar o processo de conectividade aérea entre Campo Grande e Assunção, e de Assunção a Iquique, que permitiria também intercâmbios de turismo”, diz.

A presidente da FCDL, Inês Santiago, reforçou o papel da Federação no apoio à iniciativa privada para viabilizar essa rota. “O papel da Federação é fomentar, dar apoio à CDL Campo Grande e às demais CDLs do Estado para que efetivamente a iniciativa privada possa dar o pontapé inicial para iniciar a rota aérea e fomentar o setor de turismo, tanto para Mato Grosso do Sul quanto para Argentina, Chile e Paraguai”, afirma. Segundo ela, já existe um voo entre Assunção e Iquique, e o próximo passo é criar uma ligação entre Campo Grande e Assunção.
Inês também destacou que os negócios entre as regiões não precisam esperar a conclusão da rota terrestre. “Já podemos começar os nossos negócios fomentando uma rota aérea e essa conexão importante com esses países”, diz.
O diretor da AENA em Mato Grosso do Sul, Usiel Vieira, confirmou que a companhia já avalia a viabilidade da conexão internacional. Ele explica que, hoje, um passageiro que sai de Iquique até Campo Grande passa por quatro operações de voo, com escalas em Santiago e Guarulhos. Uma rota direta ou com uma única conexão mudaria esse cenário. “A gente é chamado aqui no Mato Grosso do Sul de porta de entrada para o Mercosul. Imagina que a gente consegue fazer isso com apenas um ou dois voos. A expectativa da gente é muito boa”, afirma.
Setores ligados ao turismo e à hospitalidade também acompanharam a reunião. O diretor do SindHA, Carlos Genoud Neto, avalia que a rota bioceânica amplia as possibilidades além do transporte de cargas. “A rota bioceânica abre portas para o turismo de fora do nosso Estado e de fora do país, principalmente para Bonito, que é um polo de ecoturismo muito divulgado no mundo. A gente tem essa esperança do aumento do turismo aqui na nossa região”, diz.
Na mesma linha, a diretora executiva da Abrasel em Mato Grosso do Sul, Paola Lani, destaca o potencial para o setor de alimentação fora do lar. “A gente enxerga a rota bioceânica com um potencial promissor de intercâmbio entre empresários e aumento de turismo, consequentemente de público para o estabelecimento de alimentação. A gente enxerga com olhos muito positivos”, afirma.
O encontro reuniu, além das autoridades citadas, representantes de outras entidades e empresários de Campo Grande e diretores da CDL Campo Grande, em um sinal do interesse conjunto do setor produtivo pela aproximação com o Chile.
