A paralisação do transporte coletivo em Campo Grande entra no terceiro dia consecutivo nesta quarta-feira (17) e mantém mais de 100 mil usuários sem acesso aos ônibus, aprofundando os impactos econômicos sobre o comércio, os serviços e setores essenciais da Capital em pleno período natalino.
A continuidade da greve ocorre mesmo após audiência no Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região (TRT-24), realizada na terça-feira (16), na qual foi determinada a retomada parcial da frota e elevada a multa diária ao sindicato. Em assembleia realizada em frente ao tribunal, os motoristas decidiram manter a paralisação total, prolongando um cenário que caminha para a maior interrupção do transporte coletivo registrada na cidade em mais de 30 anos.
De acordo com estimativa da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Campo Grande, a greve já provoca uma perda aproximada de R$ 10 milhões por dia na economia local. O prejuízo atinge diretamente o comércio varejista, especialmente lojas que dependem do fluxo presencial de consumidores e da atuação de vendedores comissionados, cuja renda é afetada pela redução das vendas.
Os efeitos se estendem para além do varejo. Empresas com grandes quadros de funcionários, como hotéis, hospitais, bares, restaurantes e serviços essenciais, estão sendo obrigadas a mobilizar ônibus e vans para buscar trabalhadores em casa, diante da inexistência de alternativa ao transporte público. No pequeno varejo, lojistas passaram a custear transporte por aplicativo para garantir a presença de funcionários e a abertura das lojas, acumulando despesas extras não previstas.
A CDL lembra que a paralisação ocorre em um momento estratégico para a economia da Capital. Levantamento divulgado pela entidade no início de dezembro apontou que 77,5% das compras de Natal seriam realizadas de forma presencial, com expectativa de movimentação de R$ 194 milhões no comércio local. A greve compromete diretamente esse cenário, ao reduzir a circulação de consumidores e impor custos adicionais às empresas.
A entidade reconhece a legitimidade das reivindicações trabalhistas, mas alerta para a necessidade de uma solução imediata e responsável para o impasse, de forma a restabelecer o transporte coletivo, garantir o funcionamento das atividades econômicas e evitar prejuízos ainda maiores para a cidade em um dos períodos mais relevantes do calendário comercial.
Djeneffer Cordoba
Assessoria de Imprensa – CDL-CG
Campo Grande – MS, 16 de dezembro de 2025