A paralisação do transporte coletivo em Campo Grande, que já se estende por dois dias consecutivos e afeta mais de 100 mil usuários diariamente, tem provocado impactos diretos sobre a atividade econômica da Capital, especialmente no comércio e nos serviços. A avaliação é da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Campo Grande, que estima uma perda aproximada de R$ 10 milhões em apenas um dia de greve.
Segundo o presidente da entidade, Adelaido Figueiredo, o prejuízo não se restringe aos empresários. “Não perde apenas o dono da empresa. Perde o vendedor, que depende do comissionamento para complementar a renda, perde o trabalhador que não consegue chegar ao emprego e perde a cidade como um todo”, afirmou.
A CDL ressalta que a paralisação ocorre em um momento sensível para o varejo, às vésperas do Natal, período tradicionalmente responsável por uma das maiores movimentações do ano. A entidade havia divulgado, no início de dezembro, projeção indicando que 77,5% das compras natalinas seriam realizadas de forma presencial, com expectativa de movimentação de R$ 194 milhões na economia local. “O cenário era extremamente positivo. Estávamos projetando o melhor Natal dos últimos 12 anos, e a greve coloca esse desempenho em risco”, destacou o presidente.
Além do comércio, outros setores estratégicos da economia local também vêm sendo fortemente impactados. Empresas com grandes efetivos de trabalhadores — como hotéis, bares, restaurantes, hospitais e serviços essenciais — estão sendo obrigadas a assumir custos elevados para garantir o funcionamento mínimo das atividades. Muitos estabelecimentos passaram a contratar ônibus e vans para buscar os funcionários em casa, diante da inexistência de alternativa ao transporte público. “O setor hoteleiro está sofrendo muito, o setor hospitalar está sofrendo muito. São atividades que simplesmente não podem parar. Se o trabalhador não chega, o hotel fecha, o hospital fecha”, alertou Adelaido.
No pequeno varejo, a situação também se agravou. Sem estrutura para transporte coletivo próprio, lojistas estão arcando com despesas extras para custear corridas por aplicativo para seus colaboradores. “São gastos adicionais que não estavam previstos, em um momento crucial do ano. A pergunta que precisa ser feita é: quem vai pagar essa conta?”, questiona o presidente da CDL.
A CDL Campo Grande destaca ainda a necessidade de uma solução imediata e responsável para o impasse, de forma a restabelecer o transporte público, preservar empregos, garantir o funcionamento das empresas e evitar prejuízos ainda maiores à economia da Capital em um dos períodos mais importantes do calendário comercial.
Djeneffer Cordoba
Assessoria de Imprensa – CDL-CG
Campo Grande – MS, 16 de dezembro de 2025