Estabelecimentos sofrem ataques sucessivos em Campo Grande. Entidade aponta falta de policiamento e deficiência na iluminação pública como facilitadores da criminalidade
Quem investe e gera empregos na capital também precisa lidar, quase que diariamente, com a insegurança. A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Campo Grande vem a público cobrar um posicionamento das forças de segurança estaduais e municipais diante da escalada de furtos que invade, literalmente, o comércio local. O cenário de vulnerabilidade tornou-se ainda mais evidente nos últimos dias, com ataques sucessivos a uma loja situada ao lado da sede da entidade, no Jardim Monte Líbano.
A proprietária de um salão de beleza, que prefere não se identificar por segurança, relata ter sido vítima de dois crimes recentes. Além do furto de equipamentos, a empresária sofre com o recorrente roubo de fiação de cobre.
“Os ladrões entram na parte externa e roubam os fios de cobre. Tem sido um prejuízo enorme e nós não temos tido nenhum respaldo em relação a policiamento, guardas, para que deem esse apoio para a gente, porque não é fácil, né?”, desabafa a lojista
Após o arrombamento, a lojista arca com custos elevados para reparos estruturais e reposição de estoque, apenas para, em muitos casos, ser alvo dos mesmos criminosos pouco tempo depois. A empresária pede reforço urgente na segurança da região. “Eu gostaria que a prefeitura pudesse olhar para nossa na região e dando uma assistência aqui pra nós, porque está muito complicado trabalhar dessa forma. Nós vamos trabalhar para pagar gastos de roubo”, finaliza.
Estatísticas que não mostram a realidade
As estatísticas oficiais escondem os prejuízos rotineiros. No portal disponibilizado pela Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Estado (SEJUP), não existem dados de furtos praticados em Campo Grande ao longo de 2026. Isso é uma prova da falha na base de dados oficial, informação que deveria ser usada como referência para a estruturação de políticas públicas de segurança.
O presidente da CDL Campo Grande, Adelaido Figueiredo, aponta que o investimento em tecnologia não tem se traduzido em efetividade:
“Nos últimos anos, Campo Grande recebeu verba expressiva e realizou um grande investimento em videomonitoramento. No entanto, as câmeras ficam nos postes sem que haja pessoal para monitorar as imagens e combater a criminalidade de fato. Hoje, temos um monitoramento rigoroso para quem passa em lombada eletrônica ou comete infrações de trânsito, mas, lamentavelmente, não há a mesma fiscalização contra a criminalidade que destrói o patrimônio”, afirma Adelaido.
Falha estrutural e policiamento insuficiente
Para a CDL Campo Grande, os relatos não são isolados, mas reflexo de uma ausência crônica de rondas policiais eficientes e da precariedade na iluminação pública. A escuridão em vias comerciais importantes facilita a ação criminosa, especialmente durante a noite e madrugada.
A entidade enfatiza que o setor varejista, já sobrecarregado por uma das maiores cargas tributárias do mundo, não recebe o retorno devido em serviços essenciais. A violência patrimonial gera um clima de insegurança que afeta não apenas o empresário, mas o consumidor e o desenvolvimento econômico da cidade.
A CDL Campo Grande reitera que não aceitará que o varejo continue refém da criminalidade. A entidade exige a implementação imediata de um plano de ação integrado entre as autoridades policiais e o reforço ostensivo do patrulhamento. A premissa é clara: sem segurança, o comércio enfraquece; e sem comércio, a economia de Campo Grande estagna.