CDL é reconhecida como representante do Varejo em audiência pública na Câmara

A Câmara Municipal de Campo Grande sediou, nesta sexta-feira (3), uma importante Audiência Pública com o tema “Revitalização do Coração da Cidade: Caminhos para a Recuperação do Comércio e das Moradias do Centro”. A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Campo Grande, representada por seu presidente, Adelaido Figueiredo, teve participação de destaque, trazendo à tona o diagnóstico e o clamor dos comerciantes e empreendedores da região central.

O reconhecimento da CDL como protagonista no debate veio do vereador Wilson Lants, que afirmou: “Ninguém tem propriedade de falar do centro da cidade, a não ser o Varejo, representado aqui por Adelaido”. O parlamentar ainda fez um apelo para que toda a discussão sobre o Centro passe pela entidade, que, segundo ele, tem se posicionado de forma “angustiante”, mas cujas demandas infelizmente não têm sido ouvidas durante anos.

Proposta pelo vereador Professor Riverton, que articulou e fez questão de garantir a participação da CDL na Casa de Leis, a audiência reuniu especialistas, comerciantes, moradores e lideranças para debater soluções cruciais, como a realocação do Hospital Municipal para a área central, incentivos ao comércio e a retomada da vida noturna, vista como ferramenta de segurança e vitalidade econômica.

Em sua fala, o presidente Adelaido Figueiredo agradeceu a oportunidade de debate, mas foi enfático ao confrontar a inércia e a falta de liderança do Poder Público Municipal. O cerne de sua intervenção foi a crise do Centro, não por falta de conhecimento técnico do varejo, mas sim pela ausência de políticas públicas efetivas e o descumprimento de compromissos anteriores.

“A gente entende que quando um cliente encontra qualquer tipo de conflito para consumir, ele deixa de frequentar aquele espaço. A gente só não consegue entender como é que a gente faz para a máquina pública parar de falar mais do mesmo e começar de novo,” declarou Adelaido.

O presidente da CDL apresentou dados alarmantes, como a queda do ticket médio na área central de R$ 162,00 em 2018 para R$ 48,00 atualmente. Ele refutou a ideia de que a internet seja a única vilã, apontando que o comércio central está “competindo com as mãos amarradas para trás.”

Entre os principais pontos levantados por Adelaido Figueiredo, destacam-se:

  • Problemas estruturais de obras: críticas a projetos recentes, como a reforma traumática da Calógeras/Barão do Rio Branco, que resultou em uma área “linda, mas ninguém quer ir lá,” citando problemas como a abertura completa das vias (ao invés de quadra a quadra, como prometido), e a inadequação de itens como lixeiras e pisos.
  • ⁠Perda de fluxo de pessoas: a mudança da antiga rodoviária e a ineficiência do transporte coletivo (que “não irriga mais nada”) inviabilizaram a chegada de consumidores de cidades vizinhas e de bairros. Além disso, o público bancário — um dos últimos grandes fluxos — resolve hoje tudo por aplicativo.
  • ⁠Segurança e políticas públicas: a insegurança é um sintoma da ausência do Estado. “Por que a gente tem tanto problema de insegurança no centro? Simples. Porque não tem políticas públicas. É só isso,” afirmou. Ele citou a falta de fiscalização contra o comércio ilegal e a ineficácia de ações como a Ronda Móvel que se tornou fixa.
  • ⁠Infraestrutura básica inexistente: o presidente da CDL questionou o fato de não haver banheiro público ou sequer bebedouros na “Capital do Tereré,” destacando que a iniciativa privada está pronta para cuidar desses serviços.
  • ⁠Proposta do Hospital Municipal: Adelaido defendeu que o Hospital Municipal seja construído no Centro (onde há áreas disponíveis), criando um complexo hospitalar que traria fluxo, vitalidade e facilidade de acesso para a população, em vez de ser erguido em um bairro nobre de difícil acesso.
  • ⁠Incentivo à moradia: lembrou de projetos anteriores, em que fez parte da máquina pública, que visavam despertar a moradia no centro através de incentivos fiscais para novas construções, uma solução prevista, inclusive, no PRODES.

Adelaido Figueiredo finalizou seu discurso fazendo um apelo direto à Câmara de Vereadores, a quem considera sua “única esperança” para o resgate do Centro. Ele lembrou que o comércio e o serviço representam 81% do PIB de Campo Grande e que o empresário não pode mais ser ignorado ou ter sua voz silenciada.

A CDL entregou um relatório técnico de quase dois anos de estudos à Casa de Leis, reafirmando que a solução para a decadência do Centro passa, urgentemente, por uma liderança firme e políticas públicas básicas de gestão (limpeza, segurança, infraestrutura).

A CDL Campo Grande segue mobilizada e à disposição da Câmara Municipal e do Poder Executivo para colaborar ativamente na construção de um plano de revitalização que seja, de fato, transformador e eficiente para o Coração da Capital.

Djeneffer Cordoba
Assessoria de Imprensa – CDL-CG
Campo Grande – MS, 04 de outubro de 2025


				

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