O vazio que a escola, os benefícios e os impostos deixaram no mercado de trabalho

Há uma verdade incômoda que poucos querem enxergar: não faltam vagas, falta gente disposta, e preparada, para ocupá-las. O empresário busca mão de obra, mas encontra jovens que não se enxergam como trabalhadores em formação. Entram no mercado cheios de expectativas, mas sem disposição para executar tarefas básicas. Não aceitam rotinas, não se preparam para aprender, não querem permanecer. É um choque de mentalidade que precisa ser discutido com seriedade.

A raiz do problema está na educação. Nosso Estado forma jovens que saem do ensino médio sem dominar o mínimo. A escola falha em entregar o essencial e empurra para o mercado pessoas que não têm sequer as ferramentas mais básicas. Estamos formando essas gerações para quê? Para onde essa “formação” os levará?

Do outro lado, há uma distorção perigosa: os benefícios sociais, embora fundamentais para garantir sobrevivência, muitas vezes colocam quem não trabalha em situação mais confortável do que quem está no mercado formal. O resultado é perverso: trabalhadores desanimados, vagas sobrando, e uma conta pesada paga justamente por quem insiste em se manter formalizado.

E é aí que entra o terceiro vértice da balança: a carga tributária. O trabalhador formal é sufocado por impostos altíssimos, financia benefícios e serviços públicos, mas não vê retorno proporcional. É punido por estar formalizado. Enquanto isso, quem vive de programas sociais ou atua na informalidade enfrenta menos encargos e, em alguns casos, tem mais estabilidade.

Estamos diante de uma balança completamente desequilibrada. De um lado, educação deficiente. Do outro, benefícios sociais que desestimulam a busca por emprego. E, pesando ainda mais, um sistema tributário que castiga justamente quem produz e paga. Essa engrenagem está emperrada, e o resultado é um mercado de trabalho travado, em que vagas existem, mas não são preenchidas.

É hora de encarar o debate sem meias-palavras. Precisamos redefinir o papel da escola, equilibrar a política de benefícios e rever urgentemente a carga tributária sobre o trabalho. Caso contrário, continuaremos presos a essa bagunça estrutural: empresários sem trabalhadores, jovens sem rumo e trabalhadores formais sem estímulo para permanecer na legalidade.

Assessoria de Imprensa – CDL-CG
Campo Grande – MS, 03 de outubro de 2025

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